quinta-feira, 28 de abril de 2011

e tu vives assim , sem sequer te importares (...)

'' Tu andas pelos mesmos caminhos todos os santos dias, cobrindo-se com a tua manta de sonhos. Vês sempre as mesmas caras nesse teu trajecto. Outras caras que fazem a mesma rotina que tu. E vocês nunca se cumprimentam, nem sorriem sequer, porque mete demasiado medo quebrar aquela parede que vos separa entre o Habitual e o Pouco Comum.
Tu ouves sempre a mesma frequência de radio, e não importa que já conheces aquelas músicas decor e que a maioria delas nem te toca o coração, e só as ouves para não ficar no silêncio que te traz a consciência da tua solidão.
Tu pouco te importas com o que vais cozinhar. Tens umas três dezenas de pratos e contentas-te com eles. Talvez até comes sempre em frente a televisão, que te faz a companhia tão desejada. Ou comes a frente do computador, falando com alguém desconhecido, ou conhecido no chat.
E o computador, que te traz o sentimento de que não estas só, que estas no meio de mais outras pessoas que partilham os teus interesses, vivem como tu (...) E parece que com isso tudo a solidão quase desaparece. Mas basta aparecer no ecrã: “ O servidor não encontrado”, como o teu mundo virtual desaparece sem deixar marca alguma. E chega outra vez a solidão, com ainda mais intensidade.
Tu todos os dias fazes os mesmos movimentos rituais. E as mãos tremem traiçoeiramente de todas as vezes que algo não corre como sempre.
Tu tiras dos teus arquivos os cenários antigos, corroídos com o tempo, os cenários usados e inúteis. E neste mesmo momento, pões os cenários novos, que a vida acabou de te oferecer, numa pasta sob o nome de “ Para o futuro”. E só quando estes cenários se tornarem inúteis, usados e corroídos, vais tirá-los daquela pasta, e lamentarás pelo tempo perdido.
Tu até já raramente abres as janelas para deixar o ar fresco e limpo entrar. Normalmente tapas-te, cheio de frio, com os trapos dos teus preconceitos, da tua falsa felicidade, que tentas encontrar na tua solidão (...) ''


\ Natasha Smaga.

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